quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pescadores elogiam o reservatório

Orlando Feliciano Dias, de 57 anos, começou a pescar na Billings em 1973 para garantir sua sobrevivência. "Foi aqui que casei, que criei meus filhos. Se depender de mim, quero morrer bem no meio da represa."

Sua mulher, Vanderléa Rochumback Dias, de 42, também não deseja sair do Riacho Grande, onde moram, muito menos trocar de profissão. "Adoro pescar e não conseguiria viver sem ver água e mato como aqui", diz. Ela conta que a Billings já foi pior para a pesca. "Tinha época que o cheiro ficava muito forte, era difícil até para respirar. Decidimos pescar na região de Piracicaba por um período e depois voltamos", afirma. Quando a obra do trecho sul do Rodoanel começou, também era difícil fisgar algo.

Hoje, Vanderléa é a responsável pela colônia de pescadores Z1 de São Bernardo do Campo, que possui 280 profissionais cadastrados. Antes, o que mais se pescava era tilápia. Hoje, o mais abundante é o acará. "Mas também pegamos um pouco de traíra, carpa, bagre e lambari." A venda é feita na própria casa. Em geral, moradores da região compram o produto para consumo próprio e, em alguns casos, feirantes levam peixes para revender.

"Antigamente, a gente vendia sem limpar mesmo, mas hoje as mulheres não querem mais ter esse trabalho", explica o pescador. Nos mais de 30 anos em que atua na Billings, Dias não teve muitos sobressaltos. Só uma vez o barco em que estava virou. "Achei que fosse morrer de frio. Mas depois de uns 40 minutos recebemos ajuda", lembra.

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